domingo, 6 de novembro de 2011

Elementos básicos da comunicação

Sempre que alguma coisa é projetada e feita, esboçada e pintada, desenhada, rabiscada, construída, esculpida ou gesticulada, a substância visual da obra é composta a partir de uma lista básica de elementos. Não se devem confundir os elementos visuais com os materiais ou o meio de expressão, a madeira ou a argila, a tinta ou o filme. Os elementos visuais constituem a substância básica daquilo que vemos, e seu número é reduzido: o ponto, a linha, a forma, a direção, o tom, a cor, a textura, a dimensão, a escala e o movimento. Por poucos que sejam, são a matéria-prima de toda informação visual em termos de opções e combinações seletivas. Esses elementos são muito relacionados entre si. Vistos individualmente parecem abstratos, mas juntos determinam a aparência e a qualidade do design de uma página.



O ponto

O ponto é uma unidade de comunicação visual mais simples e irredutivelmente mínima. Quando vistos, os pontos se ligam, sendo, portanto, capazes de dirigir o olhar. Em grande número e justapostos, os pontos criam a ilusão de tom ou de cor, o que é o fato visual em que se baseiam os meios mecânicos para a reprodução de qualquer tom contínuo.
Quando os pontos estão tão próximos entre si que se torna impossível identificá-los individualmente, aumenta a sensação de direção, e a cadeia de pontos se transforma em outro elemento visual distintivo: a linha.



A linha

À linha é atribuída a capacidade de expressar o que vai à alma. Pode ser imprecisa e indisciplinada, delicada e ondulada, nítida e grosseira, hesitante, indecisa e inquiridora. “Pode ser ainda tão pessoal quanto um manuscrito em forma de rabiscos nervosos, reflexo de uma atividade inconsciente sob a pressão do pensamento, ou um simples passatempo.”
“A linha raramente existe na natureza, mas aparece no meio ambiente: na rachadura de uma calçada, nos fios telefônicos contra o céu, nos ramos secos de uma árvore no inverno, nos cabos de uma ponte.”



A linha descreve uma forma. Na linguagem das artes visuais, a linha articula a complexidade da forma. Existem três formas básicas: o quadrado, o círculo e o triângulo eqüilátero.

Ao quadrado se associam ao equilíbrio, honestidade, retidão e perfeição; ao triângulo, ação, conflito, tensão; ao círculo, infinitude, calidez, proteção e modernidade.



Todas as formas básicas expressam três direções visuais básicas e significativas: o quadrado, a horizontal e a vertical; o triângulo, a diagonal; o círculo, a curva.

As formas básicas expressam três direções visuais elementares: o quadrado, a horizontal e a vertical; o triângulo, a diagonal; o círculo, a curva.
Cada uma das direções visuais tem um forte significado associativo e é utilizado como uma importante ferramenta para a criação de mensagens visuais. A referência horizontal - vertical encaminha-nos a um sentido de estabilidade, equilíbrio. A diagonal possui uma força direcional mais instável. As forças direcionais curvas têm significados associados è abrangência e à repetição.

O tom

Graças às variações de luz ou de tom é possível distinguir a complexidade da informação visual que nos é transmitida todos os dias. Assim, só nos é possível ver o que é escuro porque está próximo ao que é claro, da mesma forma que só vemos algo que é claro quando existe perto de algo que é escuro.
Só existe verdadeira luz quando observamos a natureza, pois nas artes gráficas, na pintura, na fotografia e no cinema o que existe é uma simulação do tom natural. Entre a luz e a escuridão na natureza existem centenas de gradações tonais específicas, mas essas gradações são muito mais limitadas nas artes gráficas e na fotografia.



O tom é uma das melhores ferramentas que permitem representar o mundo como algo dimensional, pois, apesar da ajuda da perspectiva, a linha não é capaz de criar sozinha uma ilusão de realidade. Para tal necessita de tom que vem reforçar “a aparência de realidade através da sensação de luz refletida e sombras projetadas. Esse efeito é ainda mais extraordinário nas formas simples e básicas como o círculo, que, sem informação tonal, não pareceria ter dimensão”.

Cor

A cor é um fenômeno óptico provocado pela ação de um feixe de fótons sobre células especializadas da retina, que transmitem através de informação pré-processada no nervo óptico, impressões para o sistema nervoso. A cor tem maiores afinidades com as emoções. A cor tem três dimensões que podem ser definidas e medidas.

É de enorme relevância para a comunicação visual, pois está recheado de informação, o que permite uma impressionante experiência visual. “No meio ambiente compartilhamos os significados associativos da cor das árvores, da relva, do céu, da terra e de um número infinito de coisas nas quais vemos as cores como estímulos comuns a todos.”
Cada uma das cores possui significados associativos e simbólicos, permitindo a existência de um vasto leque de significados para o “alfabetismo visual”.



Matiz ou croma é a cor em si, e existe em número superior a cem. Existem três matizes primários ou elementares: amarelo, vermelho e azul. Cada um representa qualidades fundamentais. O amarelo é a cor que se considera mais próxima da luz e do calor; o vermelho é a mais ativa e emocional; o azul é passivo e suave. O amarelo e o vermelho tendem a expandir-se; o azul, a contrair-se. Quando estas cores são associadas através de misturas é possível a obtenção de novos significados. O vermelho, um matiz provocador, é abrandado ao misturar-se com o azul, e intensificado ao misturar-se com o amarelo. As mesmas mudanças de efeito são obtidas com o amarelo, que se suaviza ao se misturar com o azul.



Saturação, que é a pureza relativa de uma cor, do matiz ao cinza.
As cores menos saturadas levam a uma neutralidade cromática, e até mesmo à ausência de cor, sendo subtis e repousantes. Quanto mais intensa ou saturada for à coloração de um objeto ou acontecimento visual, mais carregado estará de expressão e emoção.

Pouca saturação                                                    Muita saturação
   



Luminosidade ou acromática é o brilho relativo, do claro ao escuro, das gradações tonais.


A compreensão da cor é o mais emocional dos elementos específicos do processo visual, pois possui grande força e pode ser usada para expressar e intensificar a informação visual.

Textura

A textura é o elemento visual que com freqüência serve de substituto para as qualidades de outro sentido, o tato.



Na verdade, porém, podemos apreciar e reconhecer a textura tanto através do tacto quanto da visão, ou ainda mediante uma combinação de ambos. É possível que uma textura não apresente qualidades tácteis, mas apenas ópticas, como no caso das linhas de uma página impressa, dos padrões de um determinado tecido ou dos traços sobrepostos de um esboço. Onde há uma textura real, as qualidades tácteis e ópticas coexistem, mas de uma forma única e específica, que permite à mão e ao olho uma sensação individual, ainda que projetemos sobre ambos um forte significado associativo.

Escala

Todos os elementos visuais são capazes de se modificar e se definir uns aos outros. O processo constitui, em si, o elemento daquilo que chamamos de escala. No campo visual, seria a relação de dimensões entre duas ou mais formas.
 “O grande não pode existir sem o pequeno”. Em termos de escala, os resultados visuais são relativos, pois estão sujeitos a várias modificações. O que antes era pequeno pode passar a ser grande se existe uma modificação visual no ambiente que o condiciona a tal.  



O homem é a peça fundamental para o estabelecimento de uma escala. “Nas questões de design que envolve conforto e adequação, tudo o que se fabrica está associado ao tamanho médio das proporções humanas”. Assim, compreender a importância de relacionar o tamanho com a finalidade e o significado é essencial na construção da mensagem visual.

Dimensão

Apesar de a dimensão existir no mundo real, em representações bidimensionais como o desenho, o cinema, a pintura e a fotografia não existem essa dimensão real, sendo esta apenas implícita. A ilusão de dimensão pode ser conseguida através da técnica de perspectiva, em que os seus efeitos podem ser reforçados através da utilização do tom e da enfatização da luz e da sombra.



Movimento

O elemento visual do movimento encontra-se mais freqüentemente implícito do que explícito no modo visual. Enquanto a ilusão de textura parece real devido ao uso de uma intensa ostentação de detalhes, a ilusão de movimento acontece graças ao uso da perspectiva e luz/sombra intensificadas. “A sugestão de movimento nas manifestações visuais estáticas é mais difícil de conseguir sem que ao mesmo tempo se distorça a realidade, mas está implícito em tudo o que vemos, e deriva de nossa experiência completa de movimento na vida.“




Todos os elementos básicos de comunicação, o ponto, a linha, a forma, a direção, o tom, a cor, a textura, a escala, a dimensão e o movimento são os componentes essenciais dos meios visuais. Através deles procuramos desenvolver o pensamento e a comunicação visual, pois permitem, de uma forma direta e simples, transmitir mensagens que podem ser consumidas por qualquer pessoa que tenha a capacidade de ver.